Câncer e suicídio

Estudo publicado em 19 de outubro de 2006 no Annals of Oncology mostra que ser diagnosticado com câncer dobra a probabilidade de suicídio. Familiares e médicos precisam ficar atentos porque se trata de um pânico injustificável. As diferenças nas taxas entre os gêneros é semelhante à diferença encontrada na população total. O paciente com mais alto risco é homem, com cancer na cabeça, no pescoço ou mieloma, avançado, pouco ou nenhum apoio social e pessoal, e poucas opções de tratamento; em contraste, mulheres, particularmente negras, com câncer de mama ou do colon tem risco mais baixo. O pesquisador, Kendal examinou 1 milhão e 300 mil casos de câncer nos Estados Unidos: 265 mulheres e 1.307 homens se suicidaram. A taxa de suicídios é de 24 por cem mil pacientes, 2 1/2 a taxa da população geral nos Estados Unidos. O risco variava com alguns fatores, como seguem:
se no diagnóstico o câncer já estiver metastisado, o risco é mais alto;
o risco mais alto dos homens é logo depois do diagnóstico, ao passo que o risco das mulheres era igual em diferentes momentos da luta contra a doença;
como na população geral, homens e mulheres divorciados se suicidam proporcionalmente mais do que os casados. Homens casados tinham metade do risco dos divorciados e mulheres tinham um risco 1/3 mais baixo.
negros cancerosos tem um risco mais baixo do que brancos cancerosos, reproduzindo o encontrado na população geral;
um prognóstico pior aumenta o risco, mas não no caso de um dos piores cânceres, o do pâncreas;
A rejeição do tratamento, contrariamente à expectativa, não se associava com um risco mais alto, mas quando os médicos desaconselhavam o tratamento o risco era mais alto, possivelmente devido ao estado mais avançado da doença;
Os cânceres mais associados com um risco elevado de suicídio eram os que afetavam mais a qualidade da vida, como os da cabeça e do pescoço, talvez devido a deformidades que são mais freqüentes nesses cânceres.
O apoio da família e dos amigos é fundamental; dar continuação a projetos importantes na vida, ou iniciar alguns novos, também ajuda.
Ajude uma pessoa com câncer. Eu fui diagnosticado há dez anos, o câncer voltou e é incurável. Nesse prazo eu publiquei dois livros (o terceiro está no prelo), publiquei dezenas de artigos, vi meus filhos crescerem e serem exitosos, curto dois netinhos, amei (e amo), casei e descasei, sofri, curti, em suma, vivi e continuo vivendo. O mais importante é que redescobri o sentido divino da vida. Se tivesse me suicidado teria cometido um erro grotesco. Chegou a dar vontade, várias vezes. Ainda bem que não fiz a besteira.

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